Saúde mental no trabalho vai além do autocuidado, defendem especialistas durante Fórum Saúde RH

Evento reuniu cerca de 800 participantes em Fortaleza para discutir liderança, saúde corporativa e os impactos do ambiente de trabalho no bem-estar das equipes

A relação entre saúde mental, ambiente corporativo e liderança esteve no centro dos debates da 6ª edição do Fórum Saúde RH, promovido pela ABRH-CE no Teatro RioMar Fortaleza. O evento reuniu cerca de 800 participantes para discutir os impactos das relações de trabalho no bem-estar e na produtividade das equipes.

Durante a programação, especialistas defenderam que o debate sobre saúde mental nas empresas precisa ir além das ações individuais de autocuidado e considerar fatores como cultura organizacional, comportamento das lideranças e relações humanas no ambiente corporativo. O médico e advogado Marcos Mendanha destacou que práticas como assédio, comunicação violenta e ausência de reconhecimento contribuem diretamente para o adoecimento mental. “O assédio adoece. Ambientes hostis afastam as pessoas umas das outras e aumentam os riscos de sofrimento psíquico”, afirmou.

Dados sobre os impactos do estresse no trabalho também foram apresentados durante o encontro. Segundo Jessica Gonzalez, líder de gestão de saúde do Wellz by Wellhub, 72% dos brasileiros relatam estresse no ambiente profissional e 67% afirmam que isso prejudica diariamente sua produtividade. A especialista ressaltou ainda a importância da atuação das lideranças e do RH na prevenção do adoecimento emocional.

A atualização da NR-1, que passa a reforçar a gestão de riscos psicossociais nas empresas a partir de 26 de maio, também esteve entre os principais temas debatidos. Especialistas defenderam que segurança psicológica, saúde mental e prevenção ao assédio precisam deixar de ser apenas discurso e passar a integrar práticas efetivas dentro das organizações.

Para a presidente da ABRH-CE, Kássia Sales, o crescimento do Fórum reflete a urgência do tema no ambiente corporativo. “As organizações têm buscado compreender cada vez mais como criar ambientes equilibrados, sustentáveis e produtivos. Discutir saúde deixou de ser benefício e virou pauta estratégica para as empresas e para os negócios”, destacou.